Archive for the 'Princípios e Conceitos' Category

Criatividade: Procure pela segunda resposta

maio 1, 2008

Um dos mais importantes motivos que levam ao envelhecimento das organizações e à perda de competitividade é a tendência natural de enxergar os problemas, e tentar resolvê-los, através do prisma do passado. As premissas e idéias que fizeram sentido no passado podem não ser as mais adequadas para enfrentar os desafios do presente.

Quando as pessoas têm um problema, elas usualmente se contentam, com a primeira resposta certa que encontram. De um modo geral, a primeira resposta é simplesmente a repetição de respostas que deram certo no passado. Isto pode ser satisfatório em algumas situações, mas se você quiser inovar é necessário ir além das respostas usuais e procurar por uma segunda resposta certa, ou uma terceira, quarta e outras mais. A primeira resposta costuma ser o que funcionava antes, mas provavelmente não será uma boa resposta para os novos desafios. As outras respostas costumam ser mais criativas e explorar novos caminhos até então ignorados ou mesmo evitados.

Há uma historia entre os índios americanos que ilustra o que foi dito acima. O velho curandeiro tinha a tarefa de indicar aos guerreiros as trilhas que eles deviam seguir para caçar animais e suprir alimentos para a tribo. Ele orientava os guerreiros traçando as trilhas de caça num couro de búfalo.

Quando a caça nessas trilhas se esgotava e começava a faltar alimentos, os guerreiros procuravam o velho curandeiro para que ele consultasse os espíritos e indicasse novas trilhas. Ele pegava um couro e o colocava ao sol para secar. Em seguida, fazia suas orações e desdobrava o couro que estava cheio de estrias e sulcos. Ele marcava alguns pontos de referência e usava estas estrias e sulcos do couro seco para traçar ao acaso novas trilhas; um novo mapa estava pronto. Ele sabia que a coisa certa a fazer era obrigar os guerreiros a saírem das velhas trilhas a que estavam acostumados e se aventurarem por regiões inexploradas.

Seguindo sempre a mesma trilha, você irá aos mesmos lugares onde sempre foi e terá o que sempre teve. No caso de caça, terá cada vez menos.

O que sua equipe tem obtido com as respostas e soluções de seus problemas? Mais, a mesma coisa ou menos? Já não estaria na hora de procurar novas trilhas e novas respostas?

Artigos relacionados:

Bloqueios à criatividade

Criatividade e intuição

Pensamento Lateral: como se libertar dos bloqueios mentais

Como lidar com os bloqueios à criatividade

Faça sua escolha: voe com as águias ou ande com as galinhas

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Inovação: As lições do Firefox

março 30, 2008

FirefoxPoucas organizações tiraram proveito da criatividade das pessoas de fora como a Mozilla Corporation, criadora do navegador Firefox. Trabalhando no sistema de código aberto, a Mozilla depende da contribuição de milhares de voluntários para o desenvolvimento do produto e codificação, distribuição e promoção do software.

Mitchell Baker, presidente da Mozilla, concedeu uma entrevista a The Mckinsey Quartely em janeiro de 2008, onde fala sobre o sucesso do projeto Firefox e sobre como equilibrar disciplina e a liberdade para que pessoas motivadas se dediquem às suas paixões. Segundo Mitchell Baker, algumas lições que as empresas inovadoras podem aprender com a experiência da Mozilla:

Motivação: Um ponto chave é o sentimento de que as pessoas têm a “propriedade” do que elas estão fazendo, no sentido de que estão emocionalmente comprometidas e têm a chance de decidir o que e como fazer. O número de pessoas que sentem que o Firefox é parcialmente delas é muito alto, afirma Baker.

Liberdade: Deixar as pessoas livres é muito importante. Você tem de definir o espaço e a extensão, mas você obtém muito mais do que você espera delas, porque elas não são você. Segundo Baker, a Mozilla cria estruturas para que os colaboradores externos trabalhem a partir delas, sendo criativos onde a Mozilla não consegue ser.

Clareza: Deixar claro o que você deseja é muito importante para obter os benefícios da criatividade dos diversos colaboradores. Se você está fazendo uma coisa e enviando uma mensagem que está fazendo outra, eu penso que você está morto, diz Baker.

Correr riscos: Se você tem um bom grupo de pessoas à sua volta, pessoas em quem confia, em algumas ocasiões pode ser muito importante se afastar quando algo não te agrada. Deixe o problema rolar por algum tempo. A idéia de que um simples individuo é o melhor tomador de decisões para tudo e que deve ter o controle final funciona somente em algumas situações. Quando você simplesmente ordena às pessoas que parem o que estão fazendo, você perde seus pensamentos criativos. Se tiver dúvidas, faça perguntas para esclarecer e trocar idéias.

O que você pensa sobre as lições sobre inovação do Firefox? Elas podem ser aplicadas ao seu negócio?

Artigos relacionados:

Os 9 Princípios de inovação do Google

Criatividade e inovação

Por que criatividade?

Criatividade e motivação

Como líderes inovadores tratam as idéias criativas

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Os 9 princípios de inovação do Google

março 17, 2008

Google_criatividade

Em entrevista a Fast Company (www.fastcompany.com), Marissa Mayer, Vice Presidente da Google Inc. fala sobre os nove princípios de inovação adotados pela Google e fornece valiosas informações sobre sua política empresarial e sobre algumas das razões para o seu inigualável sucesso.

1. Inovação e não a perfeição instantânea

Trata-se de uma escolha difícil. Lançar um produto antes que ele esteja perfeito e ser o primeiro a comercializá-lo, ou gastar meses no seu aperfeiçoamento e se arriscar a um fracasso quando lançado no mercado?

A Google optou por não esperar pela perfeição e lançar logo seus produtos. Usa as reações do mercado para refinar seus produtos de acordo com as reais necessidades dos usuários.

2. Idéias vêm de toda parte

A Google espera que todos tenham idéias: executivos, gerentes, empregados e usuários. A empresa mantém um fórum interno permanente e encoraja os empregados a publicar novas idéias e submetê-las aos seus colegas para análise e melhoria. As melhores idéias são votadas e sobem para o topo da lista. Os comentários dos colegas levam a novas e melhores idéias.

3. Licença para seguir seus sonhos

Os engenheiros podem dedicar 20% do tempo em suas idéias. Têm liberdade para escolher temas que os interessam e que julgam vir a ser valiosos para a empresa.

4. Transforme os projetos, não os descarte

Qualquer projeto que foi suficientemente bom para passar pelo processo de filtragem, mas que não foi aprovado pelos usuários, provavelmente tem uma semente ou algo interessante em algum ponto que possa ser aproveitado. A idéia deve ser trabalhada e transformada em algo que o mercado deseja.

5. Compartilhe informações o máximo que puder

Através da intranet, os empregados são informados do que está acontecendo com os negócios e o que é importante. Além disso, todos os empregados informam por e-mail o que fizeram na semana anterior. Estas informações vão para uma página na intranet. Assim qualquer um tem acesso a quem está trabalhando em que, evitando duplicidades.

6. O foco é nos clientes, não no dinheiro

A Google acredita que se concentrar nos clientes o dinheiro entra naturalmente. Se trabalhar em produtos que os usuários necessitam, eles pagarão por eles.

7. Os dados são apolíticos

As decisões sobre projetos são tomadas com base em dados e não ditadas por preferências ou gostos pessoais.

8. Criatividade ama restrições

As pessoas pensam sobre a criatividade como uma coisa sem freios, mas a engenhosidade floresce em situações de restrições. Os engenheiros amam enfrentar desafios e resolver problemas difíceis.

9. Recrute pessoas brilhantes

Pessoas brilhantes estabelecem para si mesmos elevados padrões de desempenho. Elas querem trabalhar em projetos importantes e criar grandes coisas para o mundo.

É claro que o que serve para a Google Inc. pode não ser totalmente aplicável ou adequado para outras empresas. Cada empresa é única, com seus próprios valores, desafios e dificuldades. Mas vale a pena refletir sobre este nove princípios e ver como podem ser adaptados.

O que você pensa sobre estes nove princípios? Eles podem ser aplicados ao seu negócio? Que adaptações você faria?

Artigos relacionados:

Inovação: As lições do Firefox 

Criatividade e inovação

Por que criatividade?

Criatividade e motivação

Como líderes inovadores tratam as idéias criativas

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Inovação: como lidar e aprender com seus fracassos e sucessos

janeiro 6, 2008

ExperimentoVivemos numa economia em constante mudança e sabemos que ficar parado não é uma opção segura e sábia. No entanto, muitas organizações, apesar de ameaçadas por concorrentes inovadores e por mudanças nas preferências dos consumidores, se vêem paralisadas pelo medo de correr riscos, optando pela inércia. Fecham os olhos aos novos tempos e se refugiam no passado, mantendo processos e produtos ultrapassados.As organizações inovadoras sabem que correr riscos é inerente ao processo criativo. Inovação é mudança e não há mudança sem riscos de falhas. Você pode, e deve, tomar ações preventivas para minimizar os riscos de falhas, mas toda inovação é, em certa medida, uma aventura por terreno desconhecido. Para saber o que funciona e o que não funciona você tem que fazer experimentos, cometer alguns erros e ter perseverança e paciência. Não se trata de jogar irresponsavelmente com a sorte, mas de executar um plano de experimentos baseados em avaliações realistas dos benefícios potenciais e dos riscos.

Como as organizações lidam com suas falhas

Como lidar com as falhas é um dos importantes diferenciadores entre as organizações inovadoras e as conservadoras. As organizações podem adotar três distintas atitudes com relação aos seus erros.

Primeiro, elas podem escondê-los e tentar esquecê-los. Estas organizações estão fadadas a cometerem repetidamente os mesmos erros e ter uma morte prematura. São organizações imaturas e incapazes de lidarem objetivamente com os sentimentos negativos associados aos fracassos. Não há clima para a criatividade e inovação, pois as evidências de declínio são ignoradas, predominando a ilusão de que tudo está bem, sem necessidade de mudanças.

Segundo, elas podem lamentar e procurar culpados. Se os pretensos culpados forem internos, serão castigados. Se as pretensas causas forem externas (economia, câmbio, etc.) elas adotarão atitudes fatalistas. Elas preferem racionalizar seus erros ao invés de analisá-los e conhecer suas verdadeiras causas. Neste caso, continuarão também a repetir os mesmos erros até falirem munidas de variadas justificativas para seus fracassos. As iniciativas de mudanças são paralisadas pelo temor do erro e das acusações de incompetência e irresponsabilidade.

Terceiro, elas podem refletir e aprender. São organizações maduras, que vêem nas falhas oportunidades de aprender com seus erros e inovar. Elas procuram analisar seus erros e entender o que aconteceu e o porque. Um exemplo deste processo de análise efetiva de falhas é encontrado na análise meticulosa dos desastres aéreos para identificar suas causas. Outro exemplo similar é encontrado em hospitais, em sessões onde os médicos se reúnem para estudar erros relevantes e casos de mortes inesperadas para identificar, discutir e aprender com suas falhas.

A condução de uma análise de falhas requer mentes abertas e inquisitivas, paciência e tolerância à ambigüidade. Requer ainda que o grupo de análise reúna pessoas com conhecimentos técnicos, experiência nos processos de análise e de gerenciamento de equipes, e diversidade de enfoques, permitindo que explorem diferentes interpretações das causas da falha e suas conseqüências.

Exemplos de organizações que lidam positivamente com suas falhas

Precisamos nos livrar da falsa noção de que toda novidade nasce de uma única idéia brilhante e definitiva, como um tiro certeiro na mosca. Na maior parte das vezes, uma idéia inovadora resulta de muita persistência e de várias tentativas fracassadas. O tiro certeiro é mais uma exceção do que uma regra. Algumas vezes, um produto inovador é o fruto do acaso.

Na indústria farmacêutica, cerca de 90% de novas drogas falham no estágio experimental. Assim, as empresas deste setor apresentam muitas oportunidades para análise de falhas. As empresas que são criativas na análise de falhas se beneficiam de dois modos. Primeiro, a análise de uma droga que falhou revela, às vezes, que a droga tem uma aplicação alternativa válida. Por exemplo, o Viagra foi originalmente idealizado para o tratamento de angina. Em outro caso, a Eli Lilly descobriu que um anticoncepcional rejeitado nos testes poderia ser usado no tratamento de osteoporose.

Segundo, uma análise mais aprofundada pode, às vezes, salvar um produto aparentemente não aprovado para sua finalidade original, como no caso do Alimta do laboratório Eli Lilly. Após os fracassos dos testes desta droga quimioterápica, a empresa estava decidida a abandoná-la. Contudo, o médico que conduziu os testes resolveu analisar melhor as causas do fracasso. Com a ajuda de um matemático, analisou novamente os dados dos testes e descobriu que os resultados negativos tinham ocorrido com pacientes com deficiência de ácido fólico. Investigações posteriores mostraram que simplesmente dando ácido fólico a estes pacientes juntamente com o Alimta resolvia o problema, salvando uma droga que seria abandonada.

Benefícios da análise de falhas

Após vivenciar um fracasso, as pessoas costumam colocar a culpa em outras ou em forças externas fora de controle. Se esta atitude negativa não for verificada, a empresa perde a oportunidade de aprender com seus experimentos e erros e acaba por travar o processo de busca da inovação de seus produtos e serviços.

Além dos aspectos técnicos, a análise sistemática de falhas traz importantes benefícios sociais e organizacionais. Primeiro, a discussão fornece uma oportunidade de aprendizado para outras pessoas não envolvidas diretamente com o experimento. Segundo, outras pessoas agregam perspectivas diferentes que compensam certas tendências que podem distorcer as percepções daqueles diretamente envolvidos no experimento.

Muitas organizações sonham com o sucesso, com a criação de algo inovador ou a solução criativa de um problema. Para ser realmente ágil e bem sucedida, a organização tem de dar às pessoas a liberdade para inovar, a liberdade para experimentar. Isto significa também que estas pessoas tenham a liberdade de falhar. As empresas devem aprender a distinguir o erro honrado e o erro por incompetência. A falhas honradas são decorrentes de tentativas honestas, planejadas e bem intencionadas de se fazer algo novo ou diferente.

Aprenda com os sucessos

Os sucessos também podem constituir excelentes fontes de aprendizado e aperfeiçoamento. Primeiro, analise os sucessos para saber que boas práticas podem ser replicadas para outros experimentos e situações. Assegure que outras unidades e equipes se beneficiem com as lições aprendidas. Segundo, procure identificar o que pode ser melhorado em futuros experimentos similares.

Artigos relacionados:

Anatomia das grandes invenções

10 atitudes das pessoas muito criativas

Criatividade: como superar o medo de falhar

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Criatividade: mente aberta, olhos e ouvidos atentos

dezembro 27, 2007

Nem sempre a criatividade resulta de um esforço intencional para se criar algo novo, como nos casos da lâmpada elétrica e do telefone. Uma invenção, ou a solução de um problema, pode nascer da observação de um evento fortuito, inesperado. Nestes casos, a criatividade surge de uma mente atenta e aberta, capaz de perceber e extrair do evento fortuito um conceito novo e original.

O exemplo clássico é o de Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), matemático, engenheiro e inventor grego, ao resolver o problema da coroa do rei de Siracusa. Conta o historiador Vitrúvio que o rei mandou fazer uma coroa de ouro. Para isso, contratou um artesão que, mediante uma boa quantia de dinheiro e a entrega do ouro necessário, aceitou o trabalho.

Na data prevista o artesão entregou a coroa executada na perfeição, porém o rei, desconfiado que o artesão pudesse ter trocado parte do ouro por prata, pediu a Arquimedes que verificasse se a coroa era realmente de ouro puro. Arquimedes tinha o peso da coroa, mas não tinha como calcular seu volume e verificar se o peso especifico da coroa era igual ao do ouro puro.

Um dia, enquanto tomava banho, Arquimedes observou que, à medida que seu corpo mergulhava na banheira, a água transbordava. Concluiu, então, como poderia determinar o volume da coroa e, de tão contente que estava, saiu da banheira e foi para a rua gritando: “Eureka, Eureka!”, que em grego quer dizer descobri, achei, encontrei. Arquimedes descobrira que um objeto mergulhado na água desloca uma quantidade de água equivalente ao seu volume.

Assim, pegou um vasilhame com água e mergulhou uma peça de ouro do mesmo peso da coroa, registrando o quanto a água tinha subido. Fez o mesmo com uma peça de prata. Efetuou o mesmo registro e comparou-o com o anterior, concluindo que o ouro não fez a água subir tanto como a prata.

Por fim, mergulhou a coroa na água. Esta elevou o nível da água mais do que o ouro e menos do que a prata. Arquimedes constatou, então, que a coroa havia sido feito com uma mistura de ouro e prata. Pôde-se assim desvendar o mistério da coroa e desmascarar o artesão.

mola maluca

Um exemplo não tão importante, mas mais atual, é a invenção do brinquedo Mola Maluca. Em 1943, enquanto trabalhava num estaleiro de navios de guerra, o engenheiro Richard James esbarrou numa mola torcida. A mola caiu da prateleira sobre uns livros, depois sobre a mesa e em seguida no piso, onde ficou a balançar como esperando novas instruções. Ele disse a sua esposa: “Acho que podemos fazer um brinquedo desta mola”. O casal tomou um empréstimo de US$ 500 para fabricar o primeiro lote de 400 unidades. Desde então foram vendidas mais de 300 milhões de unidades.

Muitas vezes, as melhores ferramentas de criatividade são uma mente aberta e olhos e ouvidos atentos.

Artigos relacionados:

Criatividade e inovação

Desvendando o segredo dos grandes inventores

10 atitudes das pessoas muito criativas

O processo criativo

Criatividade é criar novas conexões

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Como saber se somos muito criativos?

dezembro 18, 2007

A capacidade de criar é uma das mais marcantes características do ser humano. Do controle do fogo até a divisão do átomo, uma incansável corrente de idéias inovadoras têm guiado nossa jornada através dos séculos. A compreensão científica da criatividade está longe de ser completa, mas um consenso já surgiu entre os estudiosos: a criatividade não é um dom divino, mas uma habilidade que poder ser aprimorada. Os mesmo fatores que nos possibilitam maximizar outros poderes cognitivos, como alguns exercícios mentais, a otimização de atitudes e do ambiente, podem também nos ajudar a desenvolver as habilidades criativas. Todos nós temos curiosidade sobre a nossa capacidade criativa. No entanto, as tentativas para encontrar um método para medir a criatividade, análogo ao QI usado para avaliar a inteligência, falharam até agora. A interpretação de algumas técnicas de medição da criatividade, como o Teste de Pensamento Criativo de Torrance, é muito subjetiva, dependendo muito do julgamento pessoal do avaliador.

As 7 principais características das pessoas muito criativas

Ao invés de usar um teste padronizado, os experts em criatividade buscam por certas características que as pessoas muito criativas parecem possuir. Algumas das principais características:

Fluência: o número de idéias, sentenças e associações que uma pessoa pode pensar quando apresentado a uma palavra, conceito ou problema.

Variedade e flexibilidade: a diversidade de diferentes soluções que uma pessoa pode encontrar quando solicitada a explorar os diferentes usos de alguma coisa ou a criar soluções para um problema.

Originalidade: a habilidade de desenvolver soluções potenciais que outras pessoas não conseguiram pensar.

Elaboração: a habilidade de formular uma idéia, de expandi-la e transformá-la numa solução concreta.

Sensibilidade a problemas: a habilidade de reconhecer o desafio central dentro de uma tarefa, bem como das dificuldades associadas a este desafio.

Redefinição: a capacidade de ver um problema conhecido sob uma perspectiva completamente diferente.

Tolerância à ambigüidade: a capacidade de aceitar e trabalhar ao mesmo tempo com múltiplas causas ou respostas a um problema ou desafio singular.

Teste sua criatividade

Embora os testes sejam subjetivos, você pode matar sua curiosidade sobre sua capacidade criativa fazendo os exercícios seguintes. Divirta-se e avalie seu potencial criativo.

O Teste de Torrance: dadas algumas formas gráficas simples, a pessoa é solicitada a usá-las ou combiná-las a ou a completar uma figura inacabada. Avaliadores julgam se os resultados são mais ou menos criativos, como nos exemplos a seguir. Clique na figura para ampliar.

Teste de Torrance

Exercite sua mente usando as figuras abaixo. Para usar ou combinar uma figura, você pode aumentá-la, reduzi-la, alterar sua cor ou reproduzi-la várias vezes. Na combinação, você pode usar duas ou mais figuras. Force sua mente para obter figuras altamente criativas e originais.

Teste de Torrance

 

Depois de terminar o exercício, releia as quatro primeiras características (fluência, variedade e flexibilidade, originalidade e elaboração) e verifique quais se destacam. Como você avalia sua criatividade? Quais características você precisa desenvolver para aprimorar suas habilidades criativas?

Artigos relacionados:

Criatividade e inovação

10 atitudes das pessoas muito criativas

Criatividade: dádiva de Deus ou habilidade aprendida?

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Criatividade: dádiva de Deus ou habilidade aprendida?

outubro 7, 2007

A criatividade é um dom raro que somente umas poucas pessoas têm ou uma habilidade que pode ser desenvolvida pelo treinamento e prática?

Recentemente, coloquei esta pergunta na rede do LinkedIn (http://www.linkedin.com/in/siqueira) e obtive respostas de várias partes do mundo. Selecionei algumas, com diferentes pontos de vista. Qual a sua opinião? Sinta-se à vontade para deixar seus comentários ao final deste artigo.

Marcello Pinheiro – Brasil:

Criatividade é algo que qualquer um pode desenvolver. Certamente, aqueles que realmente perseguem o objetivo (99% trabalho duro + 1% talento) podem ter mais sucesso do que aqueles que são talentosos. A diferença fundamental está em até que ponto estamos apaixonados pelo que fazemos.

Peter Kovacs – Nice, França

O único diferenciador entre pessoas criativas e não criativas é que as pessoas criativas pensam que são criativas. Não criativas pensam que não o são. Nós todos nascemos para ser criativos, é uma dádiva que somente temos de aprender como recuperá-la. Nas escolas aprendemos como não ser criativos, mas alguns resistiram.

André Munhões – Brasil:

Apostaria na resposta: ambos. Acredito que todos nós temos certo tipo de dom inato, ou seja, que nascemos com ele. Porém, a vida nos sugestiona e nos desafia às nossas próprias percepções, ela nos impulsiona através dos problemas a potencializar o dom da criatividade. Você até pode nascer com este dom, mas se este dom não for trabalhado, como um jarro de barro nas mãos de um oleiro, será infértil, infrutífero.

Walter Sargent – New York:

Eu gosto do que Rick Jarow e Julia Cameron têm a dizer sobre criatividade. Eles defendem que cada um de nós é naturalmente criativo. Jarow indaga, “e se a criatividade não for algo que fizemos, mas um modo de ver?”. O talento criativo não é um clube exclusivo. Isto é como pensar que somente certas pessoas podem ser singulares. O que acontece é que algumas pessoas aceitam e expressam sua singularidade e outras não. Criatividade é como um raro presente que nos concedemos: a permissão para sermos nós mesmos. Nossa singularidade continua a ser o ponto principal.

Rosana Zenezi Moreira – Brasil:

Jairo, eu acho que a criatividade pode ser desenvolvida. As pessoas nascem com a mente aberta, mas no decorrer da vida podem tornar-se mentes fechadas. Isso ocorre por que elas não exercitam alguns potenciais internos.

Certa vez li que muitas pessoas delegam suas vidas para outras pessoas tomarem conta e, com isso deixam de pensar. Algumas vezes, elas se deixam aprisionar por toda a vida, mas outras fazem suas próprias escolhas e superam as barreiras. Este é um momento interior de criatividade. Este momento é chamado de “salto qualitativo”. Depois deste momento, as pessoas podem ler, treinar e praticar, enfim, desenvolver suas próprias competências e explorar a criatividade que têm em suas mentes. Obviamente, há pessoas que nascem com um dom especial, mas em meu ponto de vista e, segundo textos que li, o mais comum é desenvolvermos a criatividade. É o mesmo que a inteligência emocional, podemos aprender a desenvolvê-la.

Adail Muniz Retamal – Brasil:

Eu penso que todas as pessoas são criativas! Talvez nem todas criem um vídeo de propaganda divertido, nem um produto revolucionário. Mas preste atenção como todos sobrevivem… As pessoas têm de ser muito criativas para ganhar a vida. Nossas crianças são muito criativas também. Observe-as!

Em minha opinião, o maior problema começa na escola. Geralmente, as escolas são destruidoras da criatividade. Mas algumas pessoas são tão criativas que conseguem escapar das armadilhas escolares e não permitem que os estragos sejam muito grandes.

Existem muitas escolas de criatividade. Eu realmente aprecio o trabalho de Edward De Bono (Os Seis Chapéus Pensantes, Pensamento Lateral, etc.). Também faço uso extensivo dos Processos de Raciocínio da TOC (Teoria das Restrições), propostos por Eliyahu Goldratt, que me fornecem uma gama de ferramentas para ser criativo de forma metódica.

Em resumo: o Criador é muito Criativo, assim como nós Suas Criaturas, criadas à Sua imagem e semelhança. E nós podemos desenvolver nossa Criatividade pelo resto de nossas vidas! Só depende de nós mesmos!

Olli Kuismanen – Finlândia

Certamente, algumas pessoas têm tendências naturais que as tornam mais criativas do que outras. Eu vejo pelo menos duas dimensões:

  1. Com que facilidade uma pessoa gera novas idéias (isso está mais relacionado à dimensão do ceticismo interno que mata as idéias, antes mesmo delas serem expressas).
  2. Qual é tendência natural da pessoa em externalizar suas idéias. Isto está diretamente relacionado ao perfil extrovertido-introvertido. Os extrovertidos são mais facilmente considerados criativos porque eles expressam em voz alta cada idéia maluca que têm ;-).

A chave real é que qualquer um pode aprender a ser criativo, se a definição significar a habilidade de criar algo realmente novo e ser capaz de escapar dos modelos de pensamento. Diferentes tipos de personalidade requerem diferentes tipos de métodos e habilidades. Concluindo, a criatividade pode ser desenvolvida, algo como um treinamento reverso para superar as habilidades baseadas na lógica ensinadas nas escolas.

Karl Garrison – San Diego, California

Bem, falemos sobre a pequena criatividade e a grande Criatividade. Certamente, todos nós temos a pequena criatividade – fazer bolinhos em forma de coração no dia dos namorados, criar belos convites, apresentações impressionantes ou tocar um instrumento musical. O treinamento pode melhorar isto muito, assumindo que há interesse, pois as pessoas que não são criativas geralmente não valorizam esta habilidade e não a desenvolvem.

Mas é ridículo dizer que todos podem ter a grande Criatividade, mesmo com treinamento. É como a inteligência: certamente pode-se treinar as pessoas para que façam as coisas melhores, mas o verdadeiro gênio é muito raro. De forma similar, poucas pessoas podem ser super criativas e gerar idéias super inovadoras e capazes de mudar o mundo. Você deve ter uma habilidade inata, contudo o ambiente determinará se você crescerá de modo a usar efetivamente esta dádiva.

Se você prefere chamá-lo de uma dádiva divina ou genética, eu deixo o debate para os filósofos, embora eu esteja quase certo da resposta.

Omar Bitar – Malta

Todos podem ser criativos, mas nem todos conseguem expressar sua criatividade efetivamente, e muitos poucos conseguem implementar suas idéias criativas. Ao invés de se preocupar se uma pessoa é ou não criativa, necessitamos verificar se o ambiente, seja na esfera pessoal ou na organizacional, permite que a criatividade se expresse! Não é suficiente recrutar pessoas criativas, se a organização não tem processos ou estruturas que direcionem e dêem suporte ao desenvolvimento da criatividade, em primeiro lugar.

Eileen Bonfiglio – Palm Beach, Florida

A verdadeira criatividade é uma dádiva. Podemos aprender o pensamento lateral para entender e empregar as técnicas de criatividade? Sim. Isto é o mesmo que criatividade natural? Não.

Frank Ruiz – Stockton, Califórnia

Eu diria AMBOS. É uma dádiva e é uma habilidade adquirida. Assim como algumas pessoas têm um talento natural para tocar piano, outras têm que gastar anos de aprendizado para alcançar o talento natural. Em ambos os casos, se uma dádiva ou não, tem que ser usada e cultivada. Como todo recurso, a criatividade tem de ser usada, esticada e pressionada para crescer e ser aprimorada.

Vaughan Woods – Singapura

Eu penso que a criatividade é inata. A aplicação bem sucedida da criatividade, pouco importa se ela for pequena, é aprendida.

Robin Cole Hamilton – Londres, United Kingdom

Quando crianças, nós somos criativos sem limitações, um estado que o mundo adulto faz tudo para erradicar, na medida em que crescemos e somos educados para a conformidade e a pensar “normalmente”. Esta criatividade na juventude é uma dádiva da natureza, eu diria. Preservá-la ou redescobri-la é um ato de vontade antes que uma habilidade, e freqüentemente requer pouco mais do que a capacidade de não se aborrecer por estar errado, ser extravagante ou não convencional. Infelizmente, para muitos de nós, o desejo de não ser muito diferente sobrepuja outros instintos mais produtivos.

Ray Miller – Cincinnati

Eu considero que cada um tem a “dádiva”, nem sempre reconhecida ou em uma forma reconhecível. O que nós comumente reconhecemos como criatividade é a habilidade mental de ver as coisas de um modo particular, que guarda na mente o que foi feito, o que é possível e que não foi pensado antes. Em alguma extensão, a curva normal se aplica aqui como em todo empreendimento humano. Algumas pessoas são incrivelmente criativas, outras nem tanto.

E eu penso que, independentemente do nível de criatividade que você tem, ela pode ser fortalecida e desenvolvida, se dada a oportunidade, o suporte e o interesse.

Raj Aphale – India

Ambas. Eu sou um estudante da música clássica indiana e eu tenho testemunhado isso. No mundo dos negócios, eu tenho observado esta combinação também.

Algumas pessoas nascem com a criatividade, e a combinação certa de treinamento e ambiente pode ajudar este florescimento. Algumas pessoas não abençoadas com a criatividade podem tentar arduamente, podem atingir alguma altura, mas não grandes alturas.

É como o diamante. Tem que ser um diamente primeiro (nascimento), depois tem que ser cortado e lapidado adequadamente (treinamento e prática) para que sua beleza apareça, e finalmente, tem de ser colocado numa bela base de ouro ou platina (cultura organizacional), de forma que o melhor do diamante seja visto e apreciado por todos.

Zulkifly Jamaludin – Malasia

Eu estou certo que cada um tem sua própria habilidade para ser criativo. Provavelmente, ele ou ela precise de orientação para ser capaz de enxergar seu potencial a ser liberado. Como humanos, nós estamos sempre sujeitos a falhas na nossa vida diária.

Howard Halpern – Toronto, Canadá

A resposta é “sim”. É tanto uma dádiva de Deus, como uma habilidade adquirida. É um dom que muitos têm, poucos têm a coragem de usar; é uma habilidade que pode ser desenvolvida por treinamento e prática.

O que é aprendido pelo treinamento e prática não é uma dádiva de Deus menor do que o dado para nós no nascimento. Tudo o que somos capazes de obter é uma dádiva de Deus, porque a capacidade de se submeter ao treinamento e a habilidade de praticar são ambas dádivas de Deus.

Todas as coisas boas são dádivas, e não há esta coisa como uma dádiva que não venha de Deus. Dando crédito a Deus, sua personalidade superior, o oposto do ego, a personalidade inferior, é o melhor caminho para asegurar que você continue a receber dádivas, das quais as mais valiosas não são as materiais.

Dê sua contribuição no espaço “Comentários” abaixo. Sua opinião é importante.

Artigos relacionados:

Criatividade e inovação

Por que criatividade?

Criatividade e inteligência

Criatividade e intuição

Criatividade e motivação

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Criatividade: pensamentos selecionados

julho 31, 2007

SabedoriaAbraham Maslow:
A questão não é “O que favorece a criatividade?” Mas por que, em nome de Deus, nem todos são criativos? Onde o potencial humano foi perdido? Como ele foi mutilado? Eu penso então que uma boa pergunta pode não ser “Por que as pessoas criam?” Mas por que as pessoas não criam ou não inovam? Nós temos de abandonar o sentimento de espanto em relação à criatividade, como se ela fosse um milagre.

Albert Einstein:
A mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional é um servo fiel. Nós criamos uma sociedade que venera o servo e que esqueceu o dom.

Buckminster Fuller:
Quando eu estou trabalhando num problema, eu nunca penso a respeito de beleza. Eu penso unicamente em como resolver o problema. Mas quando eu termino, se a solução não é bela, eu sei que ela está errada.

Carl Sagan:
É a tensão entre criatividade e ceticismo que tem produzido as estonteantes e inesperadas descobertas da ciência.

Edwin Land:
Criatividade é a repentina interrupção da estupidez.

Erich Fromm:
Criatividade exige a coragem de abandonar as certezas. As condições para a criatividade são de se surpreender; se concentrar; aceitar conflito e tensão, renascer a cada dia; ter consciência de sua individualidade.

Margaret J. Wheatley:
As coisas que mais tememos nas organizações, flutuações, perturbações, desequilíbrios, são as fontes primárias de criatividade.

Pablo Picasso:
Todas as crianças são artistas. O problema é como permanecer um artista quando crescemos.

Albert Szent Gyorgi:
A descoberta consiste em olhar para a mesma coisa como todo mundo e pensar algo diferente.

Thomas Disch
Criatividade é a habilidade de ver conexões onde não há nenhuma.

Provérbio chinês:
Quando um dedo aponta para a lua, o imbecil olha para o dedo.

Malcolm Muggeridge:
Nunca se esqueça de que somente o peixe morto nada a favor da corrente.

Artigos relacionados:

O declínio da criatividade

Criatividade e inovação

Por que criatividade?

Criatividade e inteligência

Criatividade e intuição

Criatividade e motivação

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

10 atitudes das pessoas muito criativas

julho 4, 2007

Nada pode impedir uma pessoa com a atitude mental correta de realizar seu objetivo; nada na terra pode ajudar uma pessoa com a atitude mental errada. Thomas Jefferson.

Criatividade não é meramente uma questão de técnicas e habilidades, mas sobretudo de uma atitude mental no trato de problemas e de idéias. Mesmo para alguém versado nas técnicas de criatividade (Brainstorming, Mapa Mental, SCAMPER, TRIZ, etc.), sem uma atitude mental correta, estas técnicas não produzirão resultados. Para serem eficazes, as técnicas de criatividade precisam ser acompanhadas de atitudes que nos levem a ver o mundo sob diferentes perspectivas e a trilhar caminhos nunca antes tentados.

Algumas atitudes mentais essenciais para o pensamento criativo são apresentadas a seguir.

1. Curiosidade

Criatividade requer uma disposição permanente para investigar, procurar entender e obter novas informações sobre as coisas que nos cercam.Curiosidade Para se tornar uma pessoa mais criativa você deve aprender a perguntar “por quê?” e “e se…?” e incorporar estas perguntas ao seu modo de vida. Infelizmente, com a maturidade perdemos aquela atitude inquisitiva da infância, quando não dávamos trégua aos nossos pais, querendo saber o porquê sobre tudo. Faz-se necessário estimular a volta desta curiosidade natural, anulada pela escola, pela família e pelas empresas.

2. Confrontando desafios

As pessoas criativas não fogem dos desafios mas os enfrentam perguntando “como eu posso superar isto?”. Elas têm uma atitude positiva e vêem em cada problema uma oportunidade de exercitar a criatividade e conceber algo novo e valioso.

3. Descontentamento construtivo

As pessoas criativas têm uma percepção aguda do que está errado no ambiente em volta delas. Contudo, elas têm uma atitude positiva a respeito desta percepção e não se deixam abater pelas coisas erradas. Ao contrário, elas transformam este descontentamento em motivação para fazer algo construtivo. Santos Dumont era um entusiasta dos balões mas não estava satisfeito com suas limitações e não descansou até inventar uma aeronave dirigível.

4. Mente aberta

Criatividade requer uma mente receptiva e disposta a examinar novas idéias e fatos. As pessoas criativas têm consciência e procuram se livrardos preconceitos, suposições e outros bloqueios mentais que podem limitar o raciocínio. Quem vê um celular apenas como um telefone, jamais pensaria em agregar ao aparelho outras utilidades como fotografia, GPS, e-mail e MP3.

5. Flexibilidade

As pessoas muito criativas são hábeis em adotar diferentes abordagens na solução de um problema. Elas sabem combinar idéias, estabelecer conexões inusitadas e gerar muitas soluções potenciais. Elas adoram olhar as coisas sob diferentes perspectivas e gerar muitas idéias.

6. Suspensão do julgamento

Imaginar e criticar ao mesmo tempo, é como dirigir com o pé no freio. As pessoas criativas sabem que há um tempo para desenvolver idéias e outro para julgá-las. Elas têm consciência que toda idéia nasce frágil e precisa de tempo para maturar e revelar seu valor e utilidade antes de ser submetida ao julgamento.

7. Síntese

Olhe as árvores, sem perder a visão da floresta. A capacidade de se concentrar nos detalhes sem perder de vista o todo é uma habilidade fundamental das pessoas criativas. A visão do todo lhe dá os caminhos para estabelecer conexões entre informações e idéias aparentemente desconexas.

8. Otimismo

Henry Ford resumiu bem as conseqüências de nossas atitudes: Seja acreditando que você pode, seja que não pode, você estaráOtimismo provavelmente certo. Pessoas que acreditam que um problema pode ser resolvido acabam por encontrar uma solução. Para elas nenhum desafio é tão grande que não possa ser enfrentado e nenhum problema tão difícil que não possa ser solucionado.

9. Perseverança

As pessoas muito criativas não desistem facilmente de seus objetivos e persistem na busca de soluções, mesmo quando o caminho se mostra longo e os obstáculos parecem intransponíveis. Com muita freqüência, a procura de uma solução criativa requer determinação e paciência. Ouçamos o Professor Sir Harold Kroto, prêmio Nobel de Química: Nove entre dez de meus experimentos falham, e isto é considerado um resultado muito bom entre os cientistas.

10. Eterno aprendiz

Freqüentemente, a solução criativa nasce de combinações inusitadas, estabelecendo analogias e conexões entre idéias e objetos que não pareciam ter qualquer relação entre si. A matéria prima para estas analogias e conexões são os fatos observados e os conhecimentos e experiências anteriores que a pessoa traz consigo. É através de seu patrimônio cultural que cada pessoa pode dar seu toque de originalidade. Este patrimônio cultural nasce e se alimenta de uma atitude de insaciável curiosidade e de prazer em aprender coisas novas.

Quais destas atitudes mentais caracterizam sua maneira de lidar com seus desafios? Quais são seus pontos fortes? Quais atitudes você precisa desenvolver para fortalecer sua criatividade? Focalize naquelas que você considera essenciais para o aprimoramento de sua criatividade e prepare um plano de ação. Mas tenha sempre em mente que atitudes não são mudadas de um dia para outro. Isto requer disciplina, paciência e perseverança. Pode ser difícil, mas o prêmio é alto.

Artigos relacionados:

O declínio da criatividade

Criatividade e intuição

Para inovar, questione as regras sagradas

O processo criativo

Ferramentas de criatividade

Inovação: como lidar e aprender com seus fracassos e sucessos

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.

Para inovar, questione as regras sagradas

junho 23, 2007

Laranja madura na beira de estrada,
Ou está bichada Zé,
Ou tem marimbondo no pé.

Esta música de outros carnavais nos fala de suposições: opiniões formadas sem provas certas e positivas. Vejamos como as suposições influenciam nossa mente e limitam nossa criatividade.Suposições

Com muita freqüência, nos baseamos em suposições para tomada de decisões. As suposições cobrem as lacunas criadas pela ausência ou insuficiência de dados. Algumas se mostram adequadas e outras não. As suposições inadequadas são abandonadas e as adequadas passam a integrar os paradigmas que norteiam nossa vida e nossas decisões. No entanto, raramente percebemos que as suposições são como uma faca de dois gumes. Se de um lado nos ajudam a tomar decisões, de outro lado acabam por criar limitações de como vemos, percebemos e interpretamos mundo que nos cerca e as mudanças que estão ocorrendo. A situação se agrava quando deixamos de perceber que algumas suposições se tornaram ultrapassadas. Neste caso, as conseqüências podem ser trágicas, como ocorreu com a França no início da Segunda Guerra Mundial.

A Alemanha se preparou para a guerra do futuro, a França para a guerra do passado.

Durante a década de 30, a Alemanha nazista se recupera do desastre da Primeira Grande Guerra, reorganiza suas forças armadas e volta a sonhar com o domínio da Europa. Percebendo a ameaça iminente, a França se põe a planejar sua defesa. O alto comando militar francês acredita que a nova guerra será a repetição da anterior, caracterizada pela guerra de trincheiras e pela lentidão na conquista do terreno inimigo. Um grupo de oficiais discorda desta suposição, destacando-se o então coronel Charles De Gaulle, que prevê uma guerra de avanços rápidos, com o emprego maciço de tanques, aviões e veículos motorizados. As idéias de De Gaulle são rejeitadas e a França decide construir a Linha Maginot, uma série de fortificações ao longo da fronteira com a Alemanha, ligadas por uma extensa rede de túneis. Uma concepção extremada da guerra de trincheiras e um erro que resultará na humilhação da França.

Em junho de 1940, usando as táticas da guerra-relâmpago (blitzkrieg), o exército alemão contorna a Linha Maginot e ataca a França passando pela Bélgica. Em 9 dias de guerra, o grande exército formado pela aliança entre França e Inglaterra é derrotado, a França se rende e Paris é ocupada por soldados alemães. A Linha Maginot jamais foi usada, tornando-se um símbolo de decisões erradas baseadas em conceitos ultrapassados.

Verifique o prazo de validade de suas suposições

Todos nós temos a nossa Linha Maginot mental, suposições que agem como filtros da realidade que nos cerca e criam limitações ao pensamento criativo. Como não podemos dispensá-las totalmente, é imprescindível verificar periodicamente o prazo de validade de nossas suposições. Temos a tendência de estender a vida útil daquelas suposições que se mostraram valiosas em alguma ocasião. Quanto mais bem sucedidos, mais nos apegamos ao que deu certo no passado.

Para inovar, questione as suposições e mude as regras

O primeiro passo, e às vezes o mais difícil, é identificar as suposições que fazemos sobre determinado assunto. Não se engane, seja qual for o assunto, você tem suposições sobre ele, conscientes ou inconscientes:

  1. No exame de uma nova oportunidade de emprego, você faz suposições sobre o futuro da empresa, a evolução de seu mercado, as oportunidades de crescimento profissional, a sua adaptabilidade ao novo ambiente, etc.
  2. Na decisão sobre o lançamento de um novo produto, você faz suposições sobre as preferências dos consumidores, os nichos de mercado mais promissores, as vantagens e desvantagens dos concorrentes, etc.

O passo seguinte é questionar estas suposições e tomar consciência das limitações e bloqueios que elas criam para a sua criatividade. Neste processo, você pode usar a ferramenta Questionamento de Suposições.

O setor de transportes aéreo oferece alguns belos exemplos de rompimento com suposições ultrapassadas e quebra de regras tradicionais:

  1. As companhias aéreas abandonaram o paradigma de um preço único e fixo para um determinado trecho. Já há algum tempo, as tabelas de tarifas aéreas oferecem preços variados conforme o dia da semana, o horário da viagem e a ordem de reserva.
  2. O bilhete de passagem aérea era um documento imprescindível. Se fosse perdido, sua viagem estava comprometida. Hoje, basta apresentar sua carteira de identidade.

Pode parecer que são mudanças triviais mas, na verdade, exigiram o rompimento com regras vigentes há quase 100 anos. Essas regras tinham sido estabelecidas com base em suposições que se tornaram inadequadas com o tempo por uma ou várias razões: inovações tecnológicas, mudanças de hábitos, mudanças na legislação, pressão da concorrência, etc.

Muitas vezes, a criatividade se constitui no abandono de alguns conceitos arraigados e na procura devacas-sagradas1.jpg novas regras para o negócio. No questionamento de regras “intocáveis” estão as grandes oportunidades de inovação de processos e produtos e na criação de sólidas vantagens competitivas.

Separe os fatos dos preconceitos

Proponho uma reflexão: Quais são suas suposições sobre os seguintes temas e como elas o influenciam:

  • Trabalhadores idosos.
  • Nossos vizinhos argentinos.
  • Mulheres executivas.
  • Fatores de sucesso profissional.
  • As preferências de seus clientes.
  • As fraquezas de seus concorrentes.

Suas opiniões sobre estes temas passam pelo teste da realidade? São confirmadas pelos fatos, ou não passam de meros preconceitos.

Preconceito: qualquer opinião ou sentimento, seja favorável ou desfavorável, concebido sem exame crítico; intolerância, prejulgamento.

Artigos relacionados:

Bloqueios à criatividade

Preconceitos: como exterminar idéias no berço

Pensamento Lateral: como se libertar dos bloqueios mentais

Se gostou deste artigo,ou para receber novas publicações.