Criatividade: mente aberta, olhos e ouvidos atentos

dezembro 27, 2007

Nem sempre a criatividade resulta de um esforço intencional para se criar algo novo, como nos casos da lâmpada elétrica e do telefone. Uma invenção, ou a solução de um problema, pode nascer da observação de um evento fortuito, inesperado. Nestes casos, a criatividade surge de uma mente atenta e aberta, capaz de perceber e extrair do evento fortuito um conceito novo e original.

O exemplo clássico é o de Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), matemático, engenheiro e inventor grego, ao resolver o problema da coroa do rei de Siracusa. Conta o historiador Vitrúvio que o rei mandou fazer uma coroa de ouro. Para isso, contratou um artesão que, mediante uma boa quantia de dinheiro e a entrega do ouro necessário, aceitou o trabalho.

Na data prevista o artesão entregou a coroa executada na perfeição, porém o rei, desconfiado que o artesão pudesse ter trocado parte do ouro por prata, pediu a Arquimedes que verificasse se a coroa era realmente de ouro puro. Arquimedes tinha o peso da coroa, mas não tinha como calcular seu volume e verificar se o peso especifico da coroa era igual ao do ouro puro.

Um dia, enquanto tomava banho, Arquimedes observou que, à medida que seu corpo mergulhava na banheira, a água transbordava. Concluiu, então, como poderia determinar o volume da coroa e, de tão contente que estava, saiu da banheira e foi para a rua gritando: “Eureka, Eureka!”, que em grego quer dizer descobri, achei, encontrei. Arquimedes descobrira que um objeto mergulhado na água desloca uma quantidade de água equivalente ao seu volume.

Assim, pegou um vasilhame com água e mergulhou uma peça de ouro do mesmo peso da coroa, registrando o quanto a água tinha subido. Fez o mesmo com uma peça de prata. Efetuou o mesmo registro e comparou-o com o anterior, concluindo que o ouro não fez a água subir tanto como a prata.

Por fim, mergulhou a coroa na água. Esta elevou o nível da água mais do que o ouro e menos do que a prata. Arquimedes constatou, então, que a coroa havia sido feito com uma mistura de ouro e prata. Pôde-se assim desvendar o mistério da coroa e desmascarar o artesão.

mola maluca

Um exemplo não tão importante, mas mais atual, é a invenção do brinquedo Mola Maluca. Em 1943, enquanto trabalhava num estaleiro de navios de guerra, o engenheiro Richard James esbarrou numa mola torcida. A mola caiu da prateleira sobre uns livros, depois sobre a mesa e em seguida no piso, onde ficou a balançar como esperando novas instruções. Ele disse a sua esposa: “Acho que podemos fazer um brinquedo desta mola”. O casal tomou um empréstimo de US$ 500 para fabricar o primeiro lote de 400 unidades. Desde então foram vendidas mais de 300 milhões de unidades.

Muitas vezes, as melhores ferramentas de criatividade são uma mente aberta e olhos e ouvidos atentos.

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